quarta-feira, 13 de novembro de 2019

FUTURAMENTE - Literatura


Jornalista Leví Lafetá 
levilafetajornalista@gmailcom

           Era tarde, quase meia noite, eu vagava pela rua quando para casa voltei. Foi uma noite cansativa. Andei pensando no passado, no presente e no futuro. Ao chegar, tudo era silencio. Abri a porta do edifício,acendi a luz do longo corredor e andei com sacrifício. O corredor tornava-se bem longo. Depois de alguns minutos cheguei ao meu apartamento e a luza apagou. Com o automático se restabeleceu. Apanhei as chaves no bolso e tremulo abri a porta. A tremura: uma pequena amostra de sofrimento. Primeiramente avistei a minha querida mesa de trabalho,onde faço até um simples cabeçalho. Sento-me em sua cadeira, olhos os livros e começo a lembrar. Quanta saudade sinto!Abro um por um. Encontro um - escrito por mim - que mais chama a atenção. São poesias que há muito escrevi. A musa não mais existe. Elas foram tiradas do fundo do coração em desabafos. Nessa gaveta à esquerda encontro velhas cartas. Olho-as demoradamente, às vezes encontro duplicatas. As mulheres vivem e enganam igualmente e nós homens... pobres animais! Até as mesmas palavras, o mesmo sentido, remetentes diferentes. Estas coincidências me apavoravam. Hoje os caos não ardem mais, já sei onde ponho os pés. Quando acontece, eu rio. Olho o relógio. Oh! Já é tarde, quase amanhecendo. preciso me arrumar para dormir e continuar na luta. 

        Do livro "FRAGMENTOS", de Leví Lafetá / 1968 

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